Uma virada silenciosa — mas profunda — se confirma em 2025: a Geração Beta chegou.
Nascidos entre este ano e 2039, esses futuros consumidores não vão apenas viver em um mundo digital. Eles vão ser moldados por ele. Inteligência artificial, automação e algoritmos não serão novidade, serão o próprio “ambiente natural” de uma geração que já nasce conectada, cercada por assistentes de voz, interfaces inteligentes e experiências sob medida.
Diferente das gerações anteriores, que se adaptaram às tecnologias, os Betas nascerão dentro do código. São filhos dos Millennials mais jovens e da Geração Z, e jamais verão um mundo sem tela, sem IA, sem personalização instantânea.
Se a Geração Alpha viveu o impacto da chegada das tecnologias inteligentes, os Betas serão os primeiros a crescer integralmente em realidades desenhadas por inteligência artificial — inclusive no brincar.
E aqui mora a provocação: como educar, divertir e estimular uma criança que vive entre algoritmos, sensores e estímulos permanentes? Como criar brinquedos para quem não separa o real do digital?
Impactos para o setor: repensar ou desaparecer
A resposta do setor de brinquedos não pode ser tímida. O cenário exige ruptura, não adaptação. A lógica do “produto bonito na prateleira” perde força diante de uma geração que exige experiência, narrativa e propósito.
Essa nova infância não aceita menos que:
Brinquedos híbridos, que conectem o mundo físico à vivência digital;
Tecnologia ativa, que entenda, responda e interaja em tempo real;
Valores claros, com mensagens de sustentabilidade, inclusão, empatia e ética.
Mas atenção: não se trata apenas de adicionar um chip ao brinquedo. Trata-se de reconstruir a ideia de brincar para um novo tempo.
Como preservar a criatividade num universo programado?
Como proteger a imaginação quando tudo já vem pré-pronto por algoritmos?
Conclusão: o brinquedo como plataforma de impacto
Vender brinquedos, daqui pra frente, será muito mais do que movimentar prateleiras. Será oferecer experiências transformadoras.
O consumidor Beta quer mais do que diversão. Ele quer identificação, intencionalidade e conexão com o mundo à sua volta.
Para fabricantes, distribuidores e varejistas, o recado é claro: quem continuar vendendo produto vai ficar para trás.
O brinquedo do futuro será híbrido, imersivo e consciente.
Ele não será apenas comprado — será vivido.
O desafio está lançado. E a oportunidade é imensa — para quem tiver coragem de brincar diferente.
Texto extraído da revista períodica publicada pela Associação dos Lojistas de Brinquedos do Brasil (ALBB), edição maio/25
